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Argelinos e sauditas precisam diversificar economia

19 de maio de 2016

Técnicos do Fundo Monetário Internacional afirmam que os dois países devem tentar atrair investimento privado estrangeiro.

São Paulo - A Argélia e a Arábia Saudita precisam adotar rapidamente reformas que promovam a diversificação de suas economias e reduzam sua dependência do petróleo. Em documentos com a avaliação dos dois países divulgados nesta quinta-feira (19), o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para a deterioração da economia argelina e sugere que os sauditas contenham os gastos públicos.

Segundo o FMI, a Argélia tem reservas internacionais estimadas em US$ 143 bilhões e tem “espaço” para colocar as reformas em práticas. O Fundo observa que o estado exerce um controle muito grande sobre a economia e sugere que parte das reformas reduza essa presença e torne o ambiente de negócios mais atrativo ao setor privado.

Abrir o capital de empresas estatais é uma das recomendações, assim como promover as exportações dos produtos argelinos em vez de limitar as importações. “O colapso nos preços do petróleo expôs antigas vulnerabilidades em uma economia conduzida pelo estado e largamente dependente dos hidrocarbonetos. Ainda assim, o impacto do choque dos preços do petróleo no crescimento tem sido limitado. Mas os balanços externo e fiscal se deterioraram significantemente”, afirma o documento.

Entre 01 e 12 de maio uma delegação do Fundo liderada por Tim Callen visitou a Arábia Saudita. Assim como a Argélia, o país do Golfo foi fortemente afetado pela queda nos preços do petróleo, produto que gera sua maior fonte de receita. O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 1,2% neste ano após ter acelerado 3,5% no ano passado. Para este ano, o Fundo calcula que a Arábia saudita terá um déficit em conta corrente equivalente a 9% do seu PIB. Ele representa as transações comerciais do país com o mundo. O déficit fiscal é estimado em 14% do PIB e é resultado negativo do total de receitas e de despesas do governo.

Nos últimos meses, a Arábia Saudita tem apresentado propostas que prometem transformar sua economia e diversificá-la. Elas compõem o plano “Visão 2030”, que prevê, entre outros, desenvolvimento do mercado de capitais, atração de investimento estrangeiro, diversificação da economia, privatizações e concessões por meio de Parcerias Público Privadas (PPP).

“O projeto Visão 2030 estabelece metas ousadas de uma transformação necessária da economia da Arábia Saudita para diversificar seu crescimento, reduzir a dependência do petróleo, aumentar a presença do setor privado e criar mais empregos para cidadãos sauditas. Espera-se que as medidas que serão anunciadas nos próximos meses indiquem como as metas serão alcançadas”, afirma o documento do Fundo.

O documento afirma ainda que o país precisa conter os gastos públicos, promover um ajuste fiscal, “ajustar” as tarifas de energia e diz que adoção de um imposto sobre valor agregado (VAT, na sigla em inglês) é “importante”. Essa taxa deverá ser colocada em vigor nos próximos anos em conjunto com outros países do Golfo.