Notícias

Dia do Refugiado é lembrado com eventos culturais

17 de junho de 2016

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) promove debates e apresentações artísticas para retratar a data, celebrada no próximo dia 20.

São Paulo - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lançou nesta semana uma programação especial para celebrar o Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho. Debates, exposição de fotografias, apresentação de vídeos de curta-metragem e atividades relacionadas à cultura dos países de origem dos refugiados são parte da programação, que é dividida em diversas cidades do País.

De acordo com o porta-voz do Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, o principal objetivo do evento é promover a reflexão sobre a realidade das pessoas que deixam seus países por causa de guerras e perseguições e vêm para o Brasil.

“A agenda da programação está se diversificando e nós queremos enviar uma mensagem. Alguns dos nossos objetivos são mostrar os fatos que levam as pessoas a deixar seu país. Nós também queremos mostrar que eles têm capacidade de contribuir para a sociedade, pois são trabalhadores e são capacitados em diversas profissões”, disse Godinho à ANBA.

Segundo a programação do Acnur, no sábado (18) será realizada a premiação dos vencedores do Festival do Minuto Refugiados 2016, em que os participantes produziram mais de 140 vídeos de curta duração sobre o tema. Na mesma ocasião, crianças refugiadas do coral Coração Jolie irão se apresentar. Os dois eventos serão no Sesc Vila Mariana, na cidade de São Paulo. Também no sábado, refugiados e moradores da região portuária do Rio de Janeiro que fazem parte do grupo Sabores do Porto irão organizar uma feira de alimentos e artesanatos típicos.

No domingo (19), o projeto Cine MigrArte irá concentrar em Brasília diversas atividades: cinema, música, gastronomia e artes visuais produzidos por refugiados serão apresentados na ocasião, assim como haverá um debate sobre os tabus sobre o refúgio. Neste evento, será lançado o documentário “A linguagem do coração”.

No Parque Farroupilha, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, será erguida uma tenda com exposição de fotos e será realizada uma roda de conversa sobre o tema do refúgio com pesquisadores do refúgio. Os refugiados promoverão atividades culturais e também receberão assessoria jurídica e informações para ter acesso ao mercado de trabalho. Na segunda-feira (20), será inaugurada a exposição fotográfica Vidas Refugiadas, no Museu da República, em Brasília. As imagens retratam o cotidiano de mulheres refugiadas que vivem no Brasil.

Godinho afirmou que os refugiados que continuam chegando ao Brasil ainda enfrentam grandes dificuldades de se adaptar ao País, principalmente os sírios, que são maioria. O governo e a sociedade estão se esforçando para recebê-los com mais infraestrutura, mesmo assim sua cultura é muito diferente da brasileira.

“As dificuldades persistem, sobretudo para quem vem da Síria, por causa do choque de cultura, do idioma, o que não é o caso, por exemplo, dos latinos ou africanos que se refugiam no Brasil. O idioma é uma barreira e sempre será. Eles precisam aprender a falar português para que possam interagir com a sociedade e não ficar restritos a guetos”, disse. Outro grande desafio enfrentado pelos refugiados é a crise econômica brasileira, que dificulta a inserção dos refugiados no mercado de trabalho. 

De acordo com dados do Ministério da Justiça, vivem no Brasil 8.863 refugiados procedentes de 79 países. Mais de dois mil são da Síria, principal origem dos que moram no País. Segundo o Acnur, no mundo há mais de 20 milhões de refugiados.


Serviço
Mais informações: https://nacoesunidas.org/grandes-eventos-celebram-dia-mundial-do-refugiado-em-capitais-brasileiras/