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Fluxo de investimento estrangeiro é o maior desde 2009

21 de junho de 2016

Fusões e aquisições impulsionaram desempenho global. Brasil caiu quatro posições no ranking em relação a 2014 e foi o 8º destino de investimentos. Árabes receberam US$ 42,3 bilhões.

São Paulo - O volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) alcançou o maior nível no ano passado desde a crise econômica mundial de 2008-2009. De acordo com o “Relatório de Investimento Mundial 2016”, divulgado nesta terça-feira (21) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), o fluxo de investimento direto no ano passado alcançou US$ 1,76 trilhão, um aumento de 38% sobre 2014. A principal razão para a expansão foi o aumento dos valores em fusões e aquisições, que saltaram de US$ 432 bilhões para US$ 721 bilhões.

A maior parte dos investimentos foi feita por países desenvolvidos. Estes foram também os que receberam os maiores volumes: 55% do total, de acordo com o levantamento. Os Estados Unidos foram o país que mais conseguiu investimento do exterior, US$ 380 bilhões, mais do que o triplo do total recebido em 2014, quando foi o terceiro principal destino de IED.

Hong Kong se manteve na segunda colocação, e recebeu US$ 175 bilhões. A China, que liderou o ranking como receptor em 2014, caiu para a terceira posição neste ano, ao obter US$ 136 bilhões. Irlanda, Holanda, Suíça, Cingapura, Brasil, Canadá, Índia, França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, México, Luxemburgo, Austrália, Itália, Chile e Turquia completam a lista dos 20 principais receptores, em ordem decrescente.

Brasil

O Brasil caiu nesta classificação. Em 2014, foi o quarto principal destino de investimentos estrangeiros, com US$ 73,086 bilhões. Em 2015, foi o oitavo colocado, com um volume de US$ 64,6 bilhões, ou 11,5% menos do que no ano anterior. A Unctad observou que o País passa por uma recessão, porém houve investimentos em setores que haviam anunciado aportes, como o automobilístico, e na área de saúde, este beneficiado pela adoção de leis que tornaram o setor mais atrativo. A desvalorização do real ajudou a evitar uma queda maior de IED. “A queda no valor do real também criou oportunidades para comprar ativos brasileiros com desconto”, observa o documento. “No entanto, quedas significativas em participações em investimentos foram registradas em indústrias relacionadas à infraestrutura”.

Outros países em desenvolvimento caíram nesta avaliação, como Cingapura, Chile e Turquia. No entanto, o volume acumulado recebido pelos países em desenvolvimento cresceu 9% de 2014 para 2015 e atingiu US$ 765 bilhões. Mesmo assim, entre esses, a maior parte do dinheiro foi para países asiáticos, que receberam US$ 541 bilhões. América Latina e Caribe receberam US$ 168 bilhões. A África foi destino de US$ 54 bilhões.

“Olhando à frente, o fluxo de IED deverá cair entre 10% e 15% em 2016, refletindo a fragilidade da economia global, persistente defasagem na demanda agregada, lento crescimento entre países exportadores de commodities, medidas para evitar que empresas transfiram suas sedes para países com menos carga tributária e queda no lucro das empresas”, prevê o relatório para este ano. O estudo indica que se não tivesse sido registrado um crescimento significativo nas fusões e aquisições, o fluxo de investimento direto teria crescido menos em 2015, em torno de 15%.

Países árabes

Entre os países que fizeram investimento, a liderança do ranking também pertence aos Estados Unidos, cujas empresas aplicaram US$ 300 bilhões no exterior. Foram seguidos por Japão, China, Holanda, Irlanda, Alemanha, Suíça, Canadá, Hong Kong, Luxemburgo, Bélgica, Cingapura, França, Espanha, Coreia do Sul, Itália, Rússia, Suécia, Noruega e Chile. Entre os dez primeiros, só a China é emergente. Queda na demanda, commodities baratas e desvalorização das moedas destas nações foram os motivos que levaram a uma redução nos investimentos feitos pelas empresas de países em desenvolvimento.

Entre os árabes da África, o Egito foi o que mais recebeu investimentos no ano passado, com um total de US$ 6,88 bilhões e expansão de 49,3% sobre 2014. O Marrocos, segundo colocado na lista da África, recebeu 11,2% menos, ou US$ 3,2 bilhões.

Entre os países árabes do Oriente Médio, que o documento classifica como Ásia Ocidental, o único que aparece entre os principais receptores de investimentos são os Emirados Árabes Unidos, destino de US$ 10,9 bilhões no ano passado.

“Baixo preço do petróleo e incertezas geopolíticas continuaram a afetar o IED para países produtores de petróleo da Ásia Ocidental, com aplicações se mantendo em baixos patamares no Catar e na Arábia Saudita. No Bahrein, os investimentos caíram de US$ 1,5 bilhão em 2014 para um valor negativo de US$ 1,5 bilhão em 2015, refletindo grandes desinvestimentos estrangeiros”, afirma a Unctad. Outros árabes se destacaram como emissores de investimentos em outros países.

“As saídas da Ásia Ocidental cresceram 54% para US$ 31 bilhões, principalmente devido à retomada do Kuwait, o principal investidor da subregião. As saídas dos Emirados Árabes cresceram 3% para US$ 9,3 bilhões, enquanto aqueles da Arábia Saudita cresceram 2%, permanecendo acima de US$ 5 bilhões. Tensões regionais podem ter dificultado o fluxo de IED das empresas da Turquia, que caíram 28%, para US$ 4,8 bilhões”, avalia o documento.

Os países do Oriente Médio receberam em 2015 US$ 42,3 bilhões em IED. Um ano antes, haviam recebido US$ 43,2 bilhões. As nações do Norte da África foram o destino de US$ 12,6 bilhões em 2015, valor superior aos US$ 11,6 bilhões recebidos em 2014.

Entre os países árabes, a Argélia teve um desinvestimento de US$ 587 milhões em 2015, a Líbia recebeu US$ 726 milhões; Sudão recebeu US$ 1,7 bilhão; e Tunísia, US$ 1 bilhão. A Mauritânia recebeu US$ 495 milhões; Comores, US$ 5 milhões; Djibuti, US$ 124 milhões; e Somália, US$ 516 milhões. No Oriente Médio, o Iraque recebeu US$ 3,46 bilhões; Jordânia, US$ 1,27 bilhão; Kuwait, US$ 293 milhões; Líbano, US$ 2,3 bilhões; Omã, US$ 822 milhões; Catar US$ 1 bilhão; Arábia Saudita, US$ 8 bilhões; Palestina, US$ 120 milhões; Emirados US$ 10,9 bilhões e o Iêmen teve desinvestimento de US$ 1,78 bilhão. Os dados para Líbia, Marrocos, Somália, Omã e Iêmen são estimados.