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Hannun destaca benefícios de parceria árabe-brasileira

04 de outubro de 2017

Presidente da Câmara Árabe abriu evento na sede da entidade que teve palestra do presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. Ele falou sobre complementariedades entre o País e a região.

São Paulo – O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, falou nesta quarta-feira (04) sobre os benefícios recíprocos das parcerias entre Brasil e países árabes. Ele fez a abertura de evento que ocorreu na sede da entidade, em São Paulo, e teve palestra do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro.

Hannun destacou que a relação entre as duas regiões vai na direção de um círculo virtuoso. “É a união dos recursos com a produção. Vamos trabalhar na conquista dos recursos árabes para canalizá-los para a atividade produtiva brasileira, gerando bens e serviços que possam abastecer o mercado árabe”, afirmou o presidente da Câmara Árabe.

Hannun lembrou a necessidade dos países árabes de garantirem a própria segurança alimentar, já que eles importam a maioria dos alimentos que consomem. “Temos aí recursos e temos produção, então cria-se um círculo virtuosos de devolução e a roda gira. Vamos devolver aos árabes aquilo que eles estão investindo no Brasil, em termos de abastecimento de suas necessidades”, complementou.

O presidente do BNDES quer atrair capital árabe para investimentos conjuntos com o banco em diferentes setores e Hannun também falou sobre o tema. Ele lembrou que entre os cinco maiores fundos soberanos do mundo, três são árabes e entre os dez primeiros, cinco são árabes. “Quarenta por cento dos valores que estão alocados em fundos soberanos no mundo é árabe”, afirmou Hannun a Rabello de Castro e aos demais presentes.

Com foco principalmente nos investimentos, a Câmara Árabe divulgou no evento o início da sua parceria com o BNDES para ações conjuntas no mundo árabe. As duas entidades planejam enviar uma delegação técnica aos países árabes em novembro deste ano e depois realizar uma missão oficial, em dezembro, para contato com representantes de fundos.

Também deve ser um momento para aproximação com os países árabes a realização da próxima reunião da União das Câmaras Árabes no Brasil em março do ano que vem. A iniciativa é resultado de conversas tidas em uma viagem feita por Hannun e pelo assessor de projetos especiais da Câmara Árabe Brasileira, Tamer Mansour, à Jordânia na última semana. Eles participaram da reunião anual da União, do Fórum Econômico Árabe-Africano e tiveram encontros com uma série de lideranças locais.

Além da reunião da União, será promovido um Fórum Econômico Brasil-países árabes. “É uma reunião que normalmente não acontece fora dos países árabes e nós vamos sediar essa reunião”, disse Hannun, lembrando que a União é o braço comercial da Liga dos Estados Árabes. Ele contou ainda que a instituição deu à Câmara Árabe a responsabilidade de trabalhar as relações da América Latina com os paises árabes. O presidente do BNDES ficou entusiasmado com a realização do encontro.

Hannun falou também sobre a corrente comercial do Brasil com os países árabes. As exportações do Brasil para os países árabes cresceram 15% de janeiro a agosto deste ano sobre iguais meses de 2016, com US$ 8,53 bilhões, e as importações avançaram 18%, para US$ 4,4 bilhões. “Mas isso é pouco, ainda é pouco, pode ser muito maior porque o mercado árabe é francamente comprador”, falou Hannun.

O presidente da Câmara Árabe destacou, em entrevista à ANBA, a viabilidade da atração de capital árabe pelo BNDES para investimentos conjuntos. “Eles correm menos riscos porque o BNDES faz todo o trabalho de seleção”, afirmou. De acordo com ele, a Câmara Árabe está desenvolvendo um trabalho para ser o braço neutro dos fundos soberanos árabes no Brasil. “Para olhar para os investimentos que eles fizeram e fazer uma certa curadoria deles, ter um olhar mais próximo”, disse.

O vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, Osmar Chohfi, acompanhou a palestra de Castro e destacou o panorama dado por ele sobre como o banco atua no desenvolvimento econômico e social do Brasil, além da perspectiva dada de como incrementar e fortalecer relações econômicas e comercias entre Brasil e o mundo árabe.

À ANBA Chohfi falou sobre a complementariedade que existe entre necessidades e potencialidades do mundo árabe e necessidades e potencialidades do Brasil. “O mundo árabe como grande consumidor de produtos alimentares, o Brasil como grande fornecedor de produtos alimentares”, disse, citando ainda a necessidade de financiamento do Brasil para projetos de infraestrutura e a capacidade financeira dos países árabes por meio dos seus fundos soberanos.

O conselheiro da Câmara Árabe, Mustafá Abdouni, acompanhou a palestra do presidente do BNDES e destacou a abordagem dada por Castro sobre os três grandes problemas do Brasil, que são juros, tributos e Previdência, segundo ele. “A globalização não se encaixa com isso”, afirmou Abdouni, chamando a palestra de uma aula de grande valia e destacando a iniciativa da Câmara Árabe em promovê-la.

Além de Abdouni e Chohfi, também participaram da palestra outras lideranças da Câmara Árabe, como o diretor de Investimentos da entidade, Daniel Hannun, o diretor-geral Michel Alaby, a diretora cultural Sílvia Antibas e os diretores Mohamad Orra Mourad, William Atui e Sami Roumieh, e o diretor Tesoureiro Nahid Chicani.