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OMC acusa maior restrição ao comércio em países do G20

21 de junho de 2016

Nações do bloco baixaram 21 medidas restritivas por mês desde outubro de 2015. É a maior média mensal desde que a organização começou a monitorar a questão, em 2009.

São Paulo – A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou nesta terça-feira (21) seu 15º levantamento sobre políticas comerciais do G20, bloco formado pelas 20 maiores economias do mundo, entre elas, Brasil e Arábia Saudita. O relatório mostra que no período analisado, de meados de outubro de 2015 a meados maio de 2016, a média mensal de medidas restritivas ao comércio internacional adotadas pelos países do grupo foi a maior desde que a OMC começou a fazer este monitoramento, em 2009.

De acordo com o levantamento, as nações do bloco baixaram 145 novas medidas restritivas ao comércio exterior no período, 21 por mês em média. No período anterior, a média mensal foi de 17 medidas. Na outra mão, foram adotadas 100 normas de facilitação do comércio de outubro de 2015 a maio de 2016, ou 14 por mês.

A OMC acrescenta que desde 2009 as economias do G20 baixaram 1.583 medidas restritivas ao comércio, e apenas um quarto destas foram revogadas até agora. Estas políticas, segundo a organização, afetam 6% de todas as importações do G20 e 5% das importações globais.

“O aumento das restrições ao comércio é a última coisa que a economia mundial precisa, com o fraco crescimento do PIB [global] e com a expectativa de que 2016 será o quinto ano consecutivo em que o comércio se expandirá abaixo dos 3%”, disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, segundo comunicado da entidade.

De acordo com o relatório, o avanço do número de medidas restritivas ocorreu principalmente como resultado do crescimento de ações de defesa comercial nos países do G20, sendo que as ações antidumping foram responsáveis pela maior parte das restrições implementadas. Os setores mais afetados foram o de metais, principalmente a indústria do aço, e o de produtos químicos.

A OMC alerta também que governos de nações do bloco ampliaram os incentivos locais para segmentos como os de infraestrutura, agricultura e atividades estritamente exportadoras. Na avaliação da instituição, estes subsídios causam distorções no comércio internacional.

“Se nós estamos falando sério em enfrentar a questão do lento crescimento econômico, então, precisamos fazer o comércio andar novamente, e não erguer barreiras entre as economias”, destacou Azevêdo. “Como principais responsáveis pelo comércio [mundial], os países do G20 se comprometeram a liderar esta empreitada. Eu peço que eles honrem este compromisso”, acrescentou.

Além do Brasil e da Arábia Saudita, fazem parte do bloco a Argentina, Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Coreia do Sul, Japão, México, Rússia, África do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia.

Segundo a OMC, o comércio mundial cresceu 2,8% no ano passado e deverá avançar no mesmo patamar em 2016.