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Atletas refugiados disputam Olimpíadas

03 de junho de 2016

São Paulo – Dez atletas refugiados, entre eles dois sírios, foram anunciados nesta sexta-feira (03) como integrantes de uma equipe que vai disputar as Olimpíadas Rio 2016. Eles competirão em pé de igualdade com os demais esportistas, mas não jogarão em nome dos seus países de origem ou nos quais vivem, e sim pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

A equipe é formada por refugiados que vivem em diferentes partes do mundo. Dois congoleses moram no Brasil: Popole Misenga, que disputará o judô masculino peso médio, e Yolande Bukasa Mabika, pelo judô feminino peso médio. Os refugiados sírios participantes serão Ramis Anis, pela natação 100 metros borboleta, que vive na Bélgica, e Yusra Mardini, que competirá na natação feminina 200 metros livres e vive na Alemanha.

Também integram o grupo Yonas Kinde, da Etiópia, no atletismo maratona masculino. Ele vive em Luxemburgo. Outros cinco refugiados do Sudão do Sul que moram no Quênia fazem parte da equipe: Yiech Pur Biel, que concorre pelo atletismo 800 metros masculino, James Nyang Chiengjiek, no atletismo 400 metros masculino, Anjelina Nada Lohalith, no atletismo 1.500 metros feminino, Rose Nathike Lokonyen, no atletismo 800 metros feminino, e Paulo Amotun Lokoro, pelo atletismo 1.500 metros masculino.

“É uma oportunidade incrível que o Comitê Olímpico Internacional está dando ao abraçar a causa dos refugiados”, afirmou o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Luiz Fernando Godinho, à ANBA. De acordo com ele, a participação mostrará que os refugiados são pessoas fortes, perseverantes, qualificadas e com capacidade de adaptação e superação de dificuldades.

O processo para montar a equipe começou há cerca de dois anos, quando o COI solicitou ao Acnur que identificasse ao redor do mundo refugiados com experiência na área esportiva. Foram nomeados inicialmente 50 atletas e, após avaliação baseada em critérios de qualidade esportiva, foram selecionados os dez que integram o grupo final.

Todos os atletas deixaram seus países devido a conflitos locais e perseguição, e encontraram refúgio em outras nações. Material divulgado pelo Acnur informa que é a primeira vez que haverá uma equipe olímpica composta exclusivamente por atletas refugiados. O grupo de refugiados vai desfilar junto com a delegação brasileira na abertura dos Jogos Olímpicos, em 05 de agosto, no Rio de Janeiro. Se algum deles for premiado em sua categoria, a bandeira hasteada será a olímpica e o hino entoado também será o olímpico, informa Godinho.

“Estamos muito satisfeitos com a equipe olímpica de atletas refugiados. São pessoas que tiveram suas carreiras esportivas interrompidas após serem forçadas a abandonar seus países devido à violência e à perseguição. Agora, estes atletas refugiados de alto nível finalmente terão a chance de seguir seus sonhos”, afirmou o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, de acordo com material divulgado.