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Bird reduz previsão de crescimento global

07 de junho de 2016

Banco Mundial cortou de 2,9% para 2,4% a projeção de avanço da economia internacional em 2016. Expectativa de recessão no Brasil foi ampliada. Países árabes terão aceleração mais modesta.

São Paulo – O Banco Mundial (Bird) reduziu sua previsão de crescimento da economia mundial em 2016. De acordo com atualização do relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgada nesta terça-feira (07), o Produto Interno Bruto (PIB) global deverá avançar 2,4% este ano. Na última edição do documento, publicada em janeiro, a projeção era de uma aceleração de 2,9%.

Segundo a instituição, a revisão levou em consideração o lento crescimento das economias avançadas, os preços de produtos básicos “obstinadamente” baixos, o fraco comércio internacional e a retração dos fluxos de capitais.

As baixas cotações das commodities e seus efeitos nas economias emergentes exportadoras destes produtos são responsáveis pela metade da queda na estimativa do PIB global, de acordo com o banco. Neste perfil enquadram-se o Brasil, como exportador de itens agrícolas e minerais, e nações árabes exportadoras de petróleo.

O Bird estima que as economias em desenvolvimento exportadoras de commodities vão crescer 0,4% este ano em média. Isso significa uma redução de 1,2 ponto percentual em relação à projeção de janeiro.

“O crescimento econômico continua a ser o impulsor mais importante da redução da pobreza e por isso estamos muito preocupados com o fato de o crescimento estar diminuindo consideravelmente nos países em desenvolvimento exportadores de produtos básicos devido aos baixos preços”, disse o presidente da instituição, Jim Yong Kim, em comunicado.

No caso do Brasil, além dos baixos preços das commodities, o banco destaca outros problemas como o arrocho decorrente do ajuste fiscal, o aumento do desemprego, redução da renda real e incerteza política. O País passa por um momento de instabilidade política com a presidente Dilma Rousseff afastada em função de um processo de impeachment e o vice-presidente Michel Temer no comando do governo. O processo está em andamento no Senado Federal e a decisão final deverá ser conhecida em agosto.

Nesse cenário, o Bird prevê uma recessão de 4% no Brasil este ano. Em janeiro, a instituição projetava um recuo de 2,5% para 2016 e uma retomada do crescimento em 2017. Agora, o relatório prevê resultado negativo também para o próximo ano, de -0,2%. “Se persistirem as incertezas políticas, a implementação de iniciativas fiscais talvez seja procrastinada, exercendo maior pressão sobre o investimento”, diz o levantamento. “As recessões no Brasil e na República Bolivariana da Venezuela ainda não atingiram o fundo do poço e podem durar mais do que previamente antecipado. Há um risco de essas recessões se alastrarem a outros países da região (América Latina)”, acrescenta.

Para o Oriente Médio e Norte da África, o Banco Mundial prevê um crescimento médio de 2,9% este ano. A projeção é 1,1 ponto percentual menor do que a feita em janeiro e leva em consideração a manutenção do preço do petróleo num patamar considerado baixo, em média de US$ 41 por barril. O crescimento previsto reflete em grande parte a expectativa de recuperação econômica no Irã, após a retirada de sanções econômicas sobre o país persa.

Em 2017, no entanto, o Bird acredita que haverá uma retomada das cotações do petróleo, o que deverá impulsionar o crescimento para 3,5%. Vale ressaltar que o banco prevê crescimento em todas as 17 economias da região avaliadas este ano e no próximo. Fazem parte desta lista 16 nações árabes mais o Irã. Não constam dela os árabes Síria, Iêmen, Somália, Mauritânia, Sudão e Ilhas Comores.