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Brasil discute padrão de abate halal com Arábia Saudita

23 de março de 2018

São Paulo – Uma delegação brasileira estará na Arábia Saudita neste fim de semana para discutir o padrão de abate halal de frangos com as autoridades locais. O país da Península Arábica é o maior mercado da avicultura do Brasil no exterior. Há, no entanto, uma divergência a respeito da prática de atordoamento dos animais por choque elétrico antes do abate.

O abate halal é aquele realizado de acordo com a tradição muçulmana. Existem, no entanto, diferenças de interpretação sobre o que é permitido ou não de país a país. A ave tem que estar viva na hora da degola e, para as autoridades sauditas, o choque mata o animal antes. Os produtores brasileiros, no entanto, garantem que os frangos não morrem, ficam apenas atordoados.

“Vamos falar sobre o padrão do abate halal no Brasil e procurar chegar a um acordo sobre isso”, disse o assessor de Projetos Especiais da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Tamer Mansour, que é veterinário de formação e tem longos anos de experiência no mercado de carnes.

Mansour vai acompanhar a missão liderada pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki. A delegação contará ainda com o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Vargas, a secretária-geral do Conselho Internacional de Avicultura (IPC, na sigla em inglês), Marília Rangel, e representantes de certificadoras halal do Brasil.

“A Arábia Saudita quer o abate sem o atordoamento, mas o Brasil gostaria de discutir isso, demonstrar que o método de atordoamento não mata a ave, o choque apenas atordoa”, destacou Mansour.

Uma das vantagens da prática, segundo Mansour, é que a ave fica imóvel na hora do abate, o que evita que o animal se debata e ocorra a formação de hematomas em função de impactos. Isso garante maior qualidade à carne.

Uma das reuniões da delegação será com a Autoridade Saudita de Drogas e Alimentos (SFDA, na sigla e inglês). O país árabe deu prazo até 1º de abril para que o Brasil e outros exportadores se adequem às suas exigências.

No ano passado, as exportações de carne de frango do Brasil à Arábia Saudita somaram mais de US$ 1 bilhão, um recuo de 13% sobre 2016. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).