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Catar tem produtos competitivos para mercado do Brasil

26 de setembro de 2017

São Paulo – Uma delegação do Catar apresentou suas demandas por produtos e também as mercadorias que quer vender ao Brasil em seminário nesta terça-feira (26) na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na capital paulista. A missão que está no Brasil é integrada por representantes de nove empresas do Catar e profissionais do Qatar Development Bank (QDB), que lidera a iniciativa. A maioria das companhias importa e também exporta.

“Nossos preços são competitivos”, disse à ANBA Hassan Khalifa Al Mansoori, diretor executivo da Qatar Export Development Agency (Tasdeer), que é o braço do QDB para internacionalização das empresas do país árabe. As companhias integrantes da delegação são de setores como alimentos - tais como carne bovina, frango, farinha e produtos de carne processada -, produtos médicos, material elétrico, alumínio e insumos para o setor de gás.

Mansoori afirmou que as empresas que querem exportar ao Brasil estão no País para dialogar, negociar preços e fazer negócios. Segundo ele, os valores dos produtos do Catar serão acordados com as companhias brasileiras interessadas. “É uma boa chance para explorarmos oportunidades de negócios para nossas empresas”, disse o diretor executivo da Tasdeer sobre a missão no Brasil. Além do seminário, ocorreram rodadas de negócios entre brasileiros e catarianos.

Em sua apresentação aos empresários brasileiros no seminário, Mansoori contou que o Catar está diversificando sua economia, que ela é robusta e confiável e que o setor bancário do país é solido. Ele citou a abertura de um novo porto no Catar, o Hamad Port, que foi inaugurado recentemente e vai facilitar o comércio do país árabe com o restante do mundo. Ele chamou os brasileiros a diversificarem suas fontes de importação por meio de negócios com o Catar.

Mansoori falou que o comércio com o Brasil é vantajoso para o Catar e também vantajoso para o Brasil. “Queremos complementar a relação comercial do Brasil com o Catar”, disse ele. O diretor executivo citou os números do comércio entre os dois países, com US$ 378 milhões em exportações brasileiras ao Catar no ano passado e US$ 532 milhões em exportações do Catar ao Brasil. “Pretendemos atingir novas alturas nessa parceria econômica”, disse.

Após o seminário, o diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, fez uma apresentação aos membros da delegação sobre a economia brasileira e ouviu deles várias perguntas, principalmente sobre formas de financiamento e taxação ao comércio exterior, registro de produtos, além de matérias-primas disponíveis para importação. Entre os produtos que as empresas querem comprar ao Brasil estão carnes bovina e de frango, óleo de soja e de milho, e açúcar.

“Percebi que eles estão muito interessados em estabelecer relações econômicas com o Brasil. A missão mostra o interesse que eles têm pelo Brasil e espero que de agora em diante teremos mais missões comerciais do Catar”, afirmou Alaby, lembrando que é a primeira delegação do QDB no Brasil e que ela ocorre após a participação de um representante da instituição no estande organizado pela Câmara Árabe na Apas Show, feira de alimentos, realizada em maio.

O diretor da Câmara Árabe, William Atui, destacou os produtos que o Catar tem a oferecer e dos quais o Brasil tem necessidade, como plásticos e alumínio. Segundo ele, fazer esse tipo de evento, com encontro entre brasileiros e árabes, é fundamental. “Nós levamos os brasileiros rapidamente a conhecer outros mercados. É o que precisamos, diversificar nossa pauta de exportação”, disse ele, ressaltando a competência da Câmara Árabe e seus diferentes departamentos, como Inteligência de Mercado e Marketing, para fazê-lo.

Os empresários e executivos do Catar apresentaram suas empresas e seus objetivos na missão aos brasileiros durante o seminário na Câmara Árabe. A área de eventos da entidade, onde ocorreu o encontro, estava lotada, principalmente com representantes de empresas brasileiras associadas da entidade interessadas em negociar com o Catar.

Entre as empresas brasileiras presente no evento do QDB estava o frigorifico Frigosul, que já tem habilitação para exportar ao Catar, mas ainda não o faz. O analista de exportação da empresa, Marcos de Paula, viu no evento uma oportunidade de começar a vender ao país. “É um mercado já consolidado, tem condições de comprar nossos produtos e ajudar na nossa balança comercial”, disse Marcos.

Também a empresa GSI, de comércio de commodities, esteve presente. Ela já vende aos árabes do Sudão, Marrocos e Emirados Árabes Unidos, e quer abrir o mercado do Catar, segundo Jorge Suguitani, um dos representantes da empresa no evento. A C.Vale, cooperativa agroindustrial que produz carne de frango, participou do encontro com o objetivo de ampliar suas vendas ao Catar. Entre as empresas do Catar presentes na missão estava um cliente da companhia, que também atua na Arábia Saudita e vende os produtos da C. Vale no mercado saudita.

As empresas do Catar integrantes na missão são a Qatar Flour Mills, a Qatar Meat Production Company, a National Food Company, a Qatar Pharma, a Qatar Aluminum Extrusion Company, a Al Hodaifi Cable Compounding Co., a Doha Cables, a Qatar International Cables Company e a Delta Corporation.

Além de representantes destas empresas, participam da delegação pelo QDB também Krishnan Venkatesan, Ali Mohammed Al-Mohannadi, Aize Hassan Al-Qahtani e Hajar Abdulla Al-Hajri, além de Mansoori.  Também estiveram presentes no evento os diretores da Câmara Árabe Mohamad Orra Mourad e Mohamad Abdouni Neto, e o embaixador do Catar no Brasil, Mohammed Alhayki, entre outras lideranças.