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Conflito derruba PIB da Síria pela metade

30 de junho de 2016

São Paulo - O Produto Interno Bruto (PIB) da Síria encolheu 57% de 2010 a 2015 e poderá demorar duas décadas para alcançar o mesmo nível de antes do conflito entre forças do governo e grupos opositores, iniciado em 2011. A conclusão é do relatório preliminar sobre a economia da Síria divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o documento, assinado pelas pesquisadoras Jeanne Gobat e Kristina Kostial, o PIB do setor de petróleo e gás caiu 28% ao ano entre 2011 e 2015 enquanto o do setor não petrolífero teve uma queda média de 14% no mesmo período.

Queda da produção e exportação de commodities, destruição da infraestrutura, escassez de fornecimento de energia para a indústria, dificuldade em obter financiamento e fragmentação da economia são outros impactos da guerra.

Segundo o documento, antes do conflito a Síria havia colocado em prática medidas para dinamizar sua economia e reduzir sua dependência da produção de petróleo e gás. Embora o desemprego e a pobreza fossem elevados, o país tinha uma inflação baixa e controlada, estava reduzindo a concessão de subsídios à energia, pediu para se tornar um membro da Organização Internacional do Comércio (WTO na sigla em inglês) e assinou um acordo de livre-comércio com a Turquia em 2007. Eram medidas que previam diversificar a economia face ao desafio da queda na produção e nas reservas de petróleo.

“A insurreição de 2011 evoluiu para uma incapacitante e violenta guerra civil com uma luta feroz entre o regime e vários grupos seculares e islamitas de oposição em diferentes regiões do país”, afirma o documento. O estudo reconhece que o país se fragmentou em províncias autônomas controladas pelo governo, por grupos rebeldes autônomos e pelo Estado Islâmico.

O documento ressalta também o “desastre humanitário” provocado pelos cinco anos de guerra, ainda em curso. Em 2010, o país tinha 22,1 milhões habitantes e atualmente, aproximadamente 20% menos. Cerca de 4,7 milhões de pessoas deixaram a Síria com destino aos países vizinhos, 900 mil pediram asilo na Europa, e há, ainda, 7,6 milhões de deslocados internos, segundo estimativa das Nações Unidas. De acordo com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 250 mil pessoas morreram e 800 mil foram feridas no conflito.

“O Centro Sírio de Pesquisa Política (SCPR, na sigla em inglês) estima que mais de 60% da força de trabalho (cerca de 3,5 milhões de pessoas) está desempregada, dos quais três milhões de pessoas perderam as vagas devido ao conflito. O SCPR também estima que a taxa total de pobreza em 2014 era de 83% (comparado com 12,4% em 2007). Muitos sírios, inclusive crianças, têm tido que encontrar empregos na informalidade para compensar a perda de renda”, afirma o documento. O SCPR é um centro de estudos sobre a Síria.

O documento sugere ainda o que precisará ser feito quando o conflito terminar. No curto prazo, as medidas econômicas precisam ser direcionadas aos mais pobres e uma vez que a reconstrução estiver “encaminhada”, ela deve ter como foco setores da economia além do petróleo, reconstrução de instituições públicas, capacitação da mão de obra e emprego de tecnologia para ampliar a produtividade.

“Seria preciso ter um foco imediato na assistência às urgentes necessidades humanitárias, restaurando a estabilidade macroeconômica e reconstruindo a capacidade institucional de implantar reformas coerentes e significativas. No médio-prazo, a agenda reformista deveria incluir a diversificação da economia, criação de empregos para jovens e deslocados, enfrentar entraves de meio ambiente, e solucionar problemas de longa data, como disparidades regionais em renda, e ampliar a inclusão social”, afirma o estudo.