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Em busca de medalha de ouro para o Líbano

13 de julho de 2016

São Paulo – O judoca Nacif Elias nasceu no Brasil, mas, quando os Jogos Olímpicos começarem no Rio de Janeiro, em 05 de agosto, é a bandeira do Líbano que ele vai defender. Naturalizado libanês desde 2013, Elias vai disputar suas primeiras Olimpíadas. Pisando no tatame pela terra de seus tataravós, ele quer ganhar o ouro para o país árabe.

“Tenho treinado como nunca. Estou preparado para trazer uma medalha para o Líbano”, diz o judoca de 27 anos, eleito por dois anos consecutivos o melhor atleta libanês pelo Comitê Olímpico do Líbano, em 2013 e 2014. Sua rotina de treino é mesmo puxada. Ele começa às 8h e só vai parar às 21h30, de segunda a domingo.

Antes de se naturlizar libanês, Elias teve uma carreira de destaque pelo Brasil. Competiu pela seleção nacional por quatro anos, até 2013. Nesse período, foi pentacampeão brasileiro, campeão pan-americano e campeão sul-americano, entre outros títulos.

A ligação esportiva com o Líbano começou em 2009, quando foi convidado a disputar os Jogos da Francofonia por aquele país. Por não ser um torneio ligado à Federação Internacional de Judô, Elias recebeu autorização para lutar pela nação árabe. Naquele ano, o atleta foi vice-campeão da competição.

Para disputar torneios oficiais, no entanto, Elias foi convidado a se naturalizar libanês. “Foi uma decisão difícil”, afirma o judoca, mas a oferta que recebeu da Federação Libanesa de Judô pesou em sua escolha. “O Líbano fez uma proposta de me pagar [para disputar] oito competições por ano. A seleção brasileira pagava três, no máximo quatro”, conta.

Elias passa a maior parte do ano treinando em Vitória, no Espírito Santo, sua cidade natal. Vai ao Líbano de três a quatro vezes por ano. Lá, ele treina na Academia Buda, na cidade de Jounieh. Segundo o atleta, ele recebe um importante apoio da academia e do governo libanês. No país árabe, ele também tem patrocínio da empresa Alfa Telecommunications.

Depois de assumir a nacionalidade libanesa, Elias colecionou novos títulos, como o de vice-campeão nos Jogos Asiáticos em 2014 (Coreia do Sul) e 2016 (Uzbequistão), terceiro lugar no Aberto Pan-Americano de Miami (2014), vice-campeão no Aberto Pan-Americano de Montevidéu (2015) e campeão do Aberto Pan-Americano de Lima (2016).

O judoca diz que, para ele, a colocação mais representativa obtida com a bandeira do Líbano foi a de vice-campeão nos Jogos Asiáticos de 2014, a melhor posição conseguida pelo país árabe até então naquele torneio. “Foi o melhor resultado do Líbano. Para o Líbano, foi um resultado muito importante”, destaca.

As colocações obtidas no Peru, Argentina e Uzbequistão colocaram Elias na disputa da medalha olímpica. Agora, ele espera se destacar nos tatames cariocas representando o país do Oriente Médio. “No Brasil, eu era mais um. No Líbano eu passei a ser a esperança. Quero ser o ídolo deles (libaneses) e colocar o judô como uma potência dentro do Líbano”, afirma.

Segundo Elias, que compete pela categoria meio-médio, para lutadores de até 81 quilos, seus principais adversários serão o georgiano Avtandili Tchrikishvili e o japonês Takanori Nagase, respectivamente o primeiro e o segundo lugar no ranking mundial de judô nesse peso.

O judoca árabe-brasileiro, no entanto, mostra confiança em conquistar o título. “Todos os classificados têm chance de ser campeão. Estou focado em conseguir a medalha olímpica. Vou trazer uma medalha para o Líbano e para todos os que acreditam no meu trabalho”, completa.