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Embaixador quer promover comércio Brasil-Jordânia

25 de setembro de 2017

São Paulo - O Embaixador do Brasil em Amã, na Jordânia, Francisco Carlos Soares Luz, defendeu nesta segunda-feira (25) a realização de ações para promover o comércio bilateral. “O comércio está estagnado há algum tempo, num patamar até que razoável, acima de US$ 150 milhões [anuais], e aparentemente há alguma recuperação, mas são necessárias ações para fazê-lo chegar a um nível compatível com as duas economias”, disse o diplomata por telefone à ANBA.

Soares Luz se reuniu nesta segunda-feira em Amã com o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, com o vice-presidente de Relações Internacionais, Osmar Chohfi, e com o assessor de projetos especiais da presidência da entidade, Tamer Mansour, que estão na capital jordaniana para participar do Fórum Econômico Árabe-Africano, que será realizado esta semana.

Entre as ações possíveis para fomentar o comércio, o diplomata citou a organização de uma missão à Jordânia liderada por um ministro brasileiro no primeiro semestre do próximo ano, e posteriormente a realização de um Fórum Econômico Brasil-Países Árabes. A promoção de tal fórum foi discutida em reunião dos representantes da Câmara Árabe Brasileira com o presidente da União das Câmaras Árabes, Nael Al Kabariti, que o embaixador também participou.

“Este fórum é uma novidade muito interessante e uma maneira de dinamizar os negócios”, afirmou Soares Luz. “A Jordânia cresceu muito nos últimos anos, inchou por causa do fluxo de refugiados a partir de 2011, são 1,3 milhão de sírios”, acrescentou.

O comércio com o Brasil, porém, não acompanhou o avanço populacional e econômico do país árabe. Na realidade vem caindo desde 2014. Neste ano, porém, os negócios voltaram a crescer e em agosto registraram o melhor resultado mensal dos últimos anos. O embaixador ressaltou que as exportações brasileiras são muito concentradas em frango, carne bovina, gado vivo e café, e é preciso diversificar a pauta.

Além do setor de alimentos, ele avalia que o Brasil pode exportar mais produtos como máquinas agrícolas, equipamentos médicos e revestimentos cerâmicos, e por outro lado, pode importar mais azeite de oliva, azeitonas, tâmaras, cosméticos do Mar Morto e fosfatos.

De janeiro a agosto, as exportações do Brasil à Jordânia somaram US$ 141,4 milhões, um aumento de 5,8% sobre o mesmo período do ano passado. Na outra mão, as importações totalizaram US$ 4,5 milhões, um crescimento de 49,65% na mesma comparação. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil (MDIC).

Acordo

Na missão ministerial que prevê ocorrer no primeiro semestre de 2018, o diplomata acredita que será possível assinar um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), atualmente em negociação entre os dois países. Esta é outra medida que poderá dar impulso aos negócios bilaterais.

“Há empresas farmacêuticas, escola de idiomas e escritórios de advocacia da Jordânia com interesse em investir no Brasil, assim como há investimentos brasileiros de US$ 15 milhões na Jordânia em projetos de energia solar que estão em andamento, e o acordo vai facilitar [os investimentos]”, declarou Soares Luz.

Além do próprio mercado jordaniano, que se tornou “mais atraente” com o crescimento populacional, o embaixador lembrou que o país ganha peso como polo de negócios para atingir os mercados dos vizinhos Síria e Iraque, e conforme as fronteiras terrestres vão sendo reabertas, maior é sua importância como “hub logístico” para a reconstrução destes dois países.