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Empresas jordanianas querem investir no Brasil

23 de junho de 2016

Embaixador brasileiro em Amã, Francisco Luz, se reuniu recentemente com executivos de grandes companhias do país árabe que têm interesse em negócios nas áreas de educação e indústria farmacêutica.

São Paulo – Empresas jordanianas estão interessadas em investir no Brasil e também na ampliação do comércio bilateral, segundo informações do embaixador brasileiro em Amã, Francisco Luz. Em entrevista à ANBA, o diplomata contou que tem se reunido com representantes de grupos privados da Jordânia com o objetivo de promover os negócios entre os dois países.

Ele destacou que a corrente comercial cresceu até ultrapassar os US$ 300 milhões anuais em 2008, mas depois passou a oscilar e no ano passado ficou abaixo dos US$ 250 milhões. “Há potencial para chegar a US$ 500 milhões, estamos na metade disso”, declarou Luz.

Entre os empresários com quem o embaixador se reuniu recentemente está o presidente do grupo TAG-Org, Talal Abu-Ghazaleh. “É o maior escritório de patentes do mundo, com cerca de 100 mil clientes, sendo mais de mil no Brasil”, disse Luz. Apesar dos clientes brasileiros, a empresa não tem presença física no País, mas quer ter no futuro.

Além da área de propriedade intelectual, a companhia tem interesse principalmente em investir no setor de educação, no qual também atua fortemente, possivelmente em parceria com alguma instituição brasileira. “Entre os Brics, o Brasil é único país em que eles não têm uma filial”, afirmou o diplomata, referindo-se ao bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Luz fez contatos também com executivos de outros grandes grupos empresariais jordanianos, como o Manaseer, holding que reúne 19 companhias de diferentes setores; Hikma, do ramo farmacêutico; e Hammoudeh, de alimentos.

Para o Manaseer, a embaixada brasileira ajudou a organizar este ano uma visita a São Paulo e Rio Grande do Sul. Segundo o embaixador, a empresa quer importar máquinas agrícolas, tratores para terraplanagem e caminhões betoneira, e estuda abrir um escritório no Brasil. “Se eles forem [se instalar no Brasil], outros [empresários] vão segui-los”, comentou o embaixador, destacando a força do grupo na Jordânia.

Já a indústria Hikma avalia adquirir alguma empresa brasileira da área de medicamentos genéricos, ou formar uma joint-venture com parceiros brasileiros neste setor. “Eles procuram um laboratório de genéricos no Brasil para comprar”, ressaltou o diplomata.

Segundo Luz, apesar da recessão no Brasil, para os empresários jordanianos o momento é de oportunidades. “Eles estão vendo [a situação no País] como ideal para investir, em função dos custos baixos”, disse. O fraco desempenho da economia e a valorização do dólar frente ao real deixaram os ativos brasileiros mais atraentes aos estrangeiros.

Comércio

O embaixador citou outros fatos ocorridos recentemente que podem incentivar o aumento dos negócios bilaterais, entre eles a decisão do governo jordaniano de reduzir de 25% para 10% o imposto de importação sobre o frango congelado para uso na indústria alimentícia. As carnes de frango e bovina são os principais produtos exportados do Brasil ao país árabe.

Além disso, a Jordânia decidiu liberar a importação de gado vivo brasileiro após um período de interrupção, e os negócios nesta área deverão se retomados em breve.

Luz espera também o aumento do comércio na área automotiva depois que a Mercedes-Benz decidiu abastecer o mercado de caminhões médios do Oriente Médio com veículos produzidos no Brasil, conforme a ANBA noticiou no mês passado.

Na mão contrária, o embaixador vê oportunidade de crescimento do comércio de fertilizantes, uma vez que a Jordânia produz fosfato e potássio e o Brasil é grande importador.