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Encontro trata de laço cultural entre latinos e árabes

25 de junho de 2016

Em outubro, a Universidade Saint-Esprit de Kaslik, do Líbano, promove colóquio para discutir as interações entre América Latina e Oriente Médio na área. Acadêmicos e artistas podem se inscrever até 30 de julho.

São Paulo – A Universidade Saint-Esprit de Kaslik (Usek), do Líbano, irá promover o 4º Colóquio Internacional: As artes e a cultura na América Latina e no Oriente Médio. O evento ocorre nos dias 27 e 28 de outubro, no campus principal da instituição, em Jounieh. Acadêmicos e artistas das duas regiões podem se inscrever para a seleção de apresentações no encontro até o dia 30 de julho.

De acordo com Roberto Khatlab, diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina (Cecal) da Usek, a arte e a cultura são os lados mais desfavorecidos das relações inter-regionais entre a América Latina e o Oriente Médio. O professor aponta dois fatores para isso: falta de financiamento para as ações de promoção cultural e artística de uma região na outra e um desinteresse dos dois lados em aprofundar o conhecimento sobre as manifestações artísticas da outra região.

“Levar o artista da América Latina para o Oriente Médio ou do Oriente Médio para a América Latina tem um custo alto. Temos vários festivais da América Latina aqui no Líbano, mas poucos artistas da região participam”, aponta Khatlab.

“Também há falta de interesse em conhecer um aspecto mais amplo tanto do Oriente Médio quanto da América Latina (na outra região). No Oriente Médio, quando se fala em América Latina, se pensa em samba do Brasil ou no tango da Argentina. Na América Latina, quando se fala em Oriente Médio, se pensa somente na dança do ventre ou no dabke. Temos outras áreas, é interessante que sejam descobertas”, destaca.

Segundo Khatlab, a Usek está trabalhando para traduzir obras de autores brasileiros de origem libanesa, do português para o árabe. O professor diz que já foram traduzidos livros de escritores como Milton Hatoum, Gabriel Chalita e Salim Miguel. Do outro lado, o diretor do Cecal ressalta o trabalho de Safa Jubran, professora de Língua e Literatura Árabe na Universidade São Paulo (USP), que tem traduzido obras do árabe para o português.

“O colóquio é para expor isso e levar as pessoas a se interessarem. Focamos nos estudantes, pois eles serão os futuros divulgadores e irão expandir essa cultura”, afirma o professor. Para Khatlab, as manifestações culturais de uma região na outra ainda são poucas. Segundo ele, os filmes que abordam essa temática, por exemplo, ainda enfrentam grandes dificuldades em encontrar patrocínio.

Khatlab diz que, após a abertura do Centro Cultural Brasil – Líbano, órgão ligado à embaixada do Brasil em Beirute, o país árabe passou a ter ações culturais ligadas ao Brasil com mais frequência. No entanto, ele afirma, falta levar grupos representativos da região para se apresentar no Líbano.

“Não estamos trazendo grupos importantes da América Latina para fazer shows aqui. Os shows de samba aqui, por exemplo, têm um brasileiro e a maioria é de libaneses que aprenderam [o ritmo] aqui”, conta. Entre os poucos brasileiros famosos que já se apresentaram em terras libanesas, Khatlab menciona os cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Estrutura do colóquio

O colóquio terá a apresentação de cinco acadêmicos da América Latina e cinco do Oriente Médio. Profissionais de qualquer país destas regiões podem enviar propostas de artigos para serem apresentadas no encontro. Além de professores, também podem se candidatar artistas, cineastas e pintores que realizem trabalhos com influência árabe, se forem da América Latina, ou influência latino-americana, se forem de países do Oriente Médio.

Para participar, é preciso apresentar um artigo que se encaixe em um dos três temas propostos: Circulações e Mobilidades culturais entre Oriente Médio e América Latina; Arte, Memória e Imigração e O lugar da cultura na cooperação internacional Sul-Sul. Para saber as normas que o artigo precisa obedecer, o interessado deve enviar um e-mail para robertokhatlab@usek.edu.lb.

A universidade se encarregará dos custos de hospedagem, alimentação e transporte dos palestrantes e também irá oferecer uma visita turística. Cada participante deverá ser responsável por suas passagens aéreas.

Além do Cecal, participam da organização do evento a Faculdade de Filosofia e de Ciências Humanas (FPSH) da Usek; o Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO), da Argentina; a Cátedra Edward Said de Estudos da Contemporaneidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); o Instituto Cultural Brasil-Líbano (ICBL) e o Instituto da Cultura Árabe (Icarabe). De acordo com Khatlab, Hoda Nehme, decana da FPHS está realizando um importante trabalho para difundir a cultura da América Latina entre os estudantes libaneses da Usek.

Um dos nomes já confirmados para o encontro é do italiano Alberto Sismondini, professor da Universidade de Coimbra, que escreveu um trabalho sobre a literatura brasileira com influência árabe. Após a definição de todos os profissionais que se apresentarão no colóquio, a programação do evento será divulgada em agosto.

Por se tratar de um evento voltado a discutir a cultura, o colóquio terá ainda apresentações de dança, música, filmes e teatro. A seleção de filmes será feita por Geraldo Campos, integrante do Icarabe e curador da Mostra Mundo Árabe de Cinema.

Artistas da América Latina e do Oriente Médio que realizem um trabalho com influência da outra região também podem enviar propostas para se apresentarem no colóquio. As propostas artísticas também devem ser enviadas ao e-mail robertokhatlab@usek.edu.lb. Os selecionados farão uma apresentação sobre seu trabalho, além de poderem mostrar a sua arte aos participantes. O evento será aberto ao público em geral.