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Planejamento é desafio para empresa familiar

15 de junho de 2016

São Paulo - Planejamento, disciplina e competência são fundamentais para uma empresa familiar prosperar por diversas gerações e precisam ser buscadas por estas companhias, na avaliação do consultor e presidente da MSCI Governança e Estratégia, Fernando Curado. Na noite de terça-feira (14) ele apresentou a palestra “Governança na imprevisibilidade: paradoxos na empresa familiar”, na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.

Curado avaliou que apesar do momento difícil do Brasil já há esperança entre os empresários e alguns sinais de retomada econômica. Além disso, observou, o País tem um mercado consumidor de 200 milhões de pessoas. “O Brasil precisa ter consumo sustentável”, afirmou.

Neste momento de crise, observou, as empresas familiares precisam ter planejamento de longo prazo, afinal é o planejamento que garante a perpetuação do negócio. “Aqui no Brasil não temos a cultura do planejamento. No exterior, as empresas e as pessoas têm essa cultura. Enfrentam invernos muito rigorosos que os fazem se preparar para sobreviver. Aqui, um país tropical, não precisamos planejar o futuro pensando na própria sobrevivência”, disse.

Disciplina em alcançar os objetivos traçados e competência para descobrir qual é a “vantagem comparativa” da empresa também são fundamentais para que o negócio sobreviva por diversas gerações. Na crise, porém, as empresas familiares têm um paradoxo e uma vantagem. O paradoxo, disse, é ter de executar ao mesmo tempo ações que são conflitantes entre si, como cortar custos e garantir a qualidade do produto.

“É preciso ter capacidade para identificar um paradoxo com clareza e também saber usar os dois lados deste paradoxo”, afirmou. Ele citou como exemplo, a compra de um eventual concorrente em um momento de crise ou investir em um outro setor de negócios que seja complementar ao que a empresa atua. Tudo depende da capacidade de a empresa avaliar os riscos, oportunidades e de se planejar.

Além de avaliar o contraditório, as empresas familiares que crescem e sobrevivem crise após crise têm outra característica: geralmente, são mais rápidas em tomar decisões em momentos de dificuldades econômicas. “Uma empresa familiar que cresceu ao longo dos anos não chegou onde chegou sem passar por crises. Ela aprende que, nessas horas, se a empresa for rápida ela vai levar vantagem. E nas familiares, a distância entre o problema e a decisão (gestores) é pequena. Você não precisa de uma aprovação da matriz para agir rapidamente”.

Essas não são as únicas características que as empresas familiares precisam ter. Elas devem se profissionalizar, todos os seus acionistas devem ter um objetivo claro para a companhia, ela precisa ter foco em seus projetos, deve se questionar constantemente e, se possível, ter um conselho familiar independente do conselho de administração da empresa. Outro desafio: evitar rupturas na companhia, que podem ser as brigas em família, alocação indevida de recursos e projetos discrepantes.

A apresentação de Curado integra o "Ciclo de palestras" promovido pela Câmara Árabe e organizado pelo diretor Mário Rizkallah. Além de Rizkallah, Curado foi recebido na instituição pelo vice-presidente de Relações Internacionais, Osmar Chohfi.