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Receita do turismo cai 45% na Tunísia

16 de junho de 2016

Atividade movimentou US$ 256 milhões no país de janeiro a maio. Número de visitantes recuou 24% em comparação com o mesmo período de 2015.

Túnis – O setor de turismo sofre para se recuperar depois dos atentados que atingiram a Tunísia no ano passado. As receitas do turismo caíram 44,6% de janeiro a maio de 2016, em relação ao mesmo período de 2015, e ficaram em 556,2 milhões de dinares tunisianos (US$ 256,2 milhões), segundo dados divulgados pelo Ministério do Turismo.

A entrada de visitantes não residentes no país ficou em 1,19 milhão de pessoas de janeiro a maio, uma queda de 24,2% sobre o mesmo período do ano passado, sendo apenas 301,3 mil turistas europeus, uma diminuição de 47,8% na mesma comparação.

Para Houssem Ben Azouz, presidente da Federação Interprofissional do Turismo (FIT), os mercados europeus seguem em dificuldades e em forte baixa, salvo pelo Leste Europeu, especialmente a Ucrânia e a Rússia.

O mercado russo, que é uma esperança para a temporada de verão (no Hemisfério Norte), cresceu 649% de janeiro a maio de 2015 para o mesmo período de 2016, e contribuiu com 74.415 turistas. A Rússia está em segundo lugar entre os mercados europeus, atrás da França, que enviou 115.752 turistas à Tunísia, um recuo de 36,4% na mesma comparação.

“Mesmo no que diz respeito a este mercado, a agência federal russa de turismo alertou sobre os riscos de atentados na Tunísia, o que provocou alguns cancelamentos e uma redução das reservas para os meses de agosto e setembro”, disse Ben Azouz.

Mesmo assim, este mercado tem um potencial importante para a Tunísia, estimado entre 500 mil e 1 milhão de turistas por ano, afirmou o presidente da FIT.

A ministra do Turismo, Selma Elloumi, declarou que diversas medidas foram tomadas para preservar o mercado russo, como o reforço do transporte aéreo, o oferecimento de diárias “adequadas”, além das preocupações com a segurança. Cerca de 2 milhões de euros foram investidos em campanhas de promoção do destino Tunísia na Rússia.

Houve recuo também de turistas de outras nacionalidades européias. A Tunísia recebeu 34.623 visitantes alemães nos cinco primeiros meses do ano, uma queda de 61,9% em relação ao mesmo período de 2015, e 26.153 italianos, um recuo de 26,1% na mesma comparação.

O mercado britânico sofre os efeitos do atentado ocorrido no balneário de Sousse, em junho do ano passado, que vitimou principalmente turistas britânicos. De janeiro a maio de 2016, o número de visitantes do Reino Unido foi de apenas 8.118 pessoas, um recuo de 94,3% sobre o mesmo período de 2015.

A chancelaria britânica até hoje não levantou o alerta contra viagens à Tunísia, mas o site de viagens Travelmole informa que 54% dos operadores britânicos querem voltar a programar pacotes para o país.

Na opinião de Ben Azouz, mesmo que seja importante diversificar os mercados turísticos, os mercados europeus clássicos não podem ser substituídos. Ele lembrou que em 2009 a Tunísia recebeu 3,5 milhões de europeus, 60% do total de visitantes.

“Para esta temporada, a solução está no mercado local e também no mercado vizinho da Argélia (415.253 visitantes de janeiro a maio), pois já é tarde demais, os mercados tradicionais fazem sua programação com um ano de antecedência. O importante é se preparar desde já para 2017, para garantir o ressurgimento do turismo na Tunísia”, destacou o executivo.

*Tradução de Alexandre Rocha