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Refugiada faz sucesso com culinária árabe

13 de junho de 2016

São Paulo - Os pratos típicos que prepara sob encomenda para uma clientela que não para de crescer estão fazendo a refugiada síria Muna Darweesh, de 35 anos, prosperar no Brasil. Ela, o marido Wessam Aljammal, de 43 anos, e três filhos deixaram a cidade de Latakia, na costa da Síria no Mar Mediterrâneo, em 2013 com destino ao Egito. Lá, viveram três meses em busca de refúgio na Suíça. “As portas estavam fechadas, e decidimos ir para o Brasil”, disse Muna na quinta-feira (09). Depois que chegaram ao País, a família aumentou com o nascimento do caçula, hoje com três anos.

A família deixou a Síria “por causa de tudo”, como ela diz: guerra, crise, política e financeira. “Nossa cidade era mais tranquila do que outras que viviam sob conflito, como Homs. Mas viemos embora por causa de tudo o que acontece lá”, disse.

Diferentemente de outros refugiados sírios, ela afirma que se adaptou rapidamente a São Paulo. “Aqui há muitos sírios e libaneses, muitos árabes e muçulmanos. Nos acostumamos rápido com a cultura local”, afirmou. Difícil foi sustentar a família logo que chegaram. Muna é formada em literatura inglesa. Wessam é engenheiro naval. “Não encontramos trabalho na nossa área de atuação. Eu até consegui um emprego, mas o salário era ruim”, disse Muna.

A saída foi preparar os pratos típicos e vender. Com a ajuda da organização não governamental Adus, ela divulgou suas receitas nas redes sociais. Passou a participar de festas e feiras típicas e até já apresentou um workshop sobre preparo de receitas árabes. “Os brasileiros adoraram”, disse.

Ela também participa do Festival Árabe, realizado aos finais de semana no bairro do Brás. Às sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, vende os salgados e doces na Mesquita Brasil, no Cambuci, na região central de São Paulo. Enquanto não encontra trabalho como engenheiro, Wessam a ajuda na cozinha.

“Na Síria todas as mulheres aprendem a cozinhar. Eu aprendi com a minha mãe. Fazer os pratos e vender foi uma opção que encontrei para ganhar dinheiro no Brasil. Só que eu faço as minhas receitas com algumas diferenças em relação ao que aprendi com a minha mãe”, disse. Os pratos mais vendidos são esfiha, quibe e falafel (bolinho de grão-de-bico frito). Mas não é só porque são os mais gostosos. “Os brasileiros só conhecem esses pratos da culinária árabe. Temos muitos outros e eu estou apresentando aos clientes. Há vários preparos de saladas, arroz com lentilha, berinjela recheada e doce de queijo. Há muitas opções”, afirmou.

Ela diz que é difícil saber quanto vende por mês porque depende de encomendas e eventos para os quais é chamada. Mas está certa que os pedidos estão crescendo. Recentemente, Muna e o marido prepararam pratos para uma festa com 300 convidados no bairro do Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo. “Estamos com um movimento cada vez melhor. Agora, quero abrir um restaurante, mas ainda não tenho dinheiro”, disse. Os pratos são feitos na cozinha do apartamento em que a família vive, na Liberdade.

O marido continua a procurar emprego como engenheiro naval e, se encontrar uma vaga, vai voltar à sua área de atuação. “Eu não pretendo voltar a dar aulas. Não preciso. O salário é baixo e ganho mais dinheiro cozinhando”, afirmou.

Serviço

Informações: https://www.facebook.com/munacozinhaarabe/?sk=app_190322544333196&ref=s
Telefone: +55 11 954370682