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Superávit nas contas externas é o maior desde 2007

24 de junho de 2016

Saldo em transações correntes ficou em US$ 1,2 bilhão em maio. Foi o segundo resultado positivo em dois meses consecutivos. Balança comercial teve forte influência.

Brasília - O Brasil registrou saldo positivo nas contas externas pelo segundo mês seguido, divulgou nesta sexta-feira (24) o Banco Central (BC). Em maio, o superávit em transações correntes ficou em US$ 1,2 bilhão. Em abril, o resultado positivo chegou a US$ 412 milhões.

O saldo positivo de maio é o maior registrado desde agosto de 2007, quando ficou em US$ 1,233 bilhão. Nos cinco primeiros meses do ano, porém, houve um déficit acumulado de US$ 5,966 bilhões, resultado bem menor do que o registrado em igual período de 2015 (US$ 35,325 bilhões).

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o resultado de maio surpreendeu, já que a projeção para o mês era de déficit de US$ 200 milhões. Maciel disse que o resultado da balança comercial, com superávit de US$ 6,251 bilhões, foi melhor que o esperado e levou ao saldo positivo das transações correntes. “Basicamente o que surpreendeu, no mês, foi o melhor desempenho da balança comercial, com um saldo no mês mais significativo”, disse.

Para junho, o BC espera que as transações correntes voltem a registrar déficit devido à redução do saldo da balança comercial, comum nessa época do ano, influenciada pelo agronegócio. O BC prevê déficit em transações correntes de US$ 1 bilhão este mês.

Projeções

O BC reduziu a projeção para o saldo negativo das contas externas este ano de US$ 25 bilhões para US$ 15 bilhões. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit deve corresponder a 0,87%, contra 1,48% previstos em março.

A estimativa para o superávit comercial passou de US$ 40 bilhões para US$ 50 bilhões no ano. A conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) deve apresentar resultado negativo de US$ 28,3 bilhões. A estimativa anterior era US$ 28,6 bilhões.

No balanço das transações correntes, a conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) deve apresentar saldo negativo de US$ 39,7 bilhões, contra US$ 39,3 bilhões previstos anteriormente.

A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) deve registrar saldo positivo de US$ 3 bilhões, ante US$ 2,9 bilhões previstos em março.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a projeção do BC é que este ano estes recursos cheguem a US$ 70 bilhões, mais que suficientes para cobrir o déficit em conta corrente. A previsão anterior era US$ 60 bilhões.